O MOINHO BRANCO DE CACHOPO

Filmado entre 2005 e 2006, o documentário acompanha a reconstrução do moinho branco de Cachopo, na serra de Tavira. Regista os momentos decisivos da intervenção, envolvendo diversos protagonistas neste processo.

Os moinhos de vento marcaram a paisagem e as vivências da serra algarvia. Na sua edificação, manutenção e utilização, inscrevem-se saberes e práticas milenares que recentemente caíram em desuso.

Inauguração do moinho branco de Cachopo. 2009. © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

A intervenção no moinho branco de Cachopo partiu da reconstrução total da edificação pré-existente que se encontrava em ruína, não existindo vestígios quer do engenho da moagem, como da cobertura.

 A inauguração a 7 de Abril de 2009, Dia Nacional dos Moinhos, encerrou um longo período de intervenção neste espaço. Diversos protagonistas por aqui passaram em momentos distintos.

A CONSTRUÇÃO E OS PROTAGONISTAS

Os trabalhadores que fizeram a demolição da ruína do anterior moinho e começaram a erguer a base do actual, acabaram por dar lugar a um mestre local que detinha conhecimento e experiência prática de toda uma vida sobre construção com matérias primas locais. Xavier foi decisivo na aplicação das técnicas empregues localmente neste processo de recuperação e edificação do moinho de Cachopo.

Xavier na inauguração do moinho. 2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Natural de Fonte do Corcho, o mestre Xavier era um conhecedor profundo das diversas utilizações com xisto, desde a extração até às suas aplicações. Assim era na construção dos moinhos, como de calçadas e muretes, tendo também, neste último caso, participado na mesma altura numa intervenção na aldeia de Cachopo, bem perto do moinho branco.

Custódio Campos voltou aquele que foi antes o seu moinho. 2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Também ele ajudou a preparar as velas colocadas no mastro. 2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados

Quem sabe, não esquece. Inauguração do moinho branco de Cachopo. 2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados

Ainda que não tenha participado directamente na reabilitação do moinho, Custódio Campos foi ali moleiro durante vários anos. Era visita habitual durante toda a reabilitação e não faltou no dia da inauguração. As velas foram então colocadas: o mastro e as mós voltaram a funcionar e a dar vida ao moinho.

O moinho no dia da inauguração. 2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

A MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DO MOINHO

Para o topo do moinho, a opção recaiu sobre a cobertura tradicional feita em palha. A expectativa era então que posteriormente pudesse ser assegurada a sua manutenção. Mas tal não veio a acontecer.

Colocação da palha na finalização dos trabalhos da construção do moinho. 2009. © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Anos mais tarde, a cobertura cedeu e começou a chover dentro do moinho. Temeu-se o pior. Mas a recuperação acabou por ser feita algum tempo depois.

A utilização do moinho seria a melhor manutenção que se poderia desejar. Mas os tempos hoje, como bem sabemos, são outros.

Integrado numa estratégia de revitalização da paisagem cultural do Algarve, o projecto de reabilitação do moinho branco de Cachopo foi promovido pelo Município de Tavira e implementado pelo Gabinete Técnico de Apoio às Aldeias do Sotavento (GTAA), com financiamento da CCDR Algarve.

2009 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.