MUSSIRO NO IBO

Ilha do Ibo. 1996 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Uma pedra e um espelho. Um pouco de água, um potinho feito com casca de coco, um pequeno pincel feito com as barbas desse mesmo fruto são os utensílios necessários para fazer o mussiro.

É a partir do caule de uma árvore que se prepara, raspando-o numa pedra lisa ligeiramente molhada. Conforme se vai desfazendo, vão-se adicionando algumas gotas de água para humedecer a porção, até conseguir formar uma pasta com consistência para se aplicar e espalhar suave e lentamente em partes do corpo.

Na ilha do Ibo, raparigas reúnem-se para preparar o mussiro com que vão adornar o rosto e, num dos casos, também nos braços.

Ilha do Ibo. 1996 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

No registo de som, podemos escutar a preparação e moagem da pasta antes da aplicação:

Estamos no norte de Moçambique, no arquipélago das Querimbas, muito próximo da fronteira com a Tanzânia. A sua utilização é feita entre mulheres da etnia macua não apenas por motivos estéticos mas também para tratamento da pele.

Ilha do Ibo. 1996 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

O uso de mussiro é comum nesta zona da província de Cabo Delgado, assim como na costa sudeste da Tanzânia e no arquipélago de Zanzibar.

A sessão foi previamente combinada e o registo acompanhou a chegada das protagonistas, desde os preparativos até que o mussiro secasse. Na altura em que fiz estas fotografias, em 1996, o Francisco Leal captou o som. A recolha foi feita para a exposição Culturas do Índico que foi promovida pela Comissão dos Descobrimentos no âmbito da celebração dos 500 Anos da Viagem de Vasco da Gama para a Índia.

Ilha do Ibo. 1996 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

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