
Inaugurada em 10 de Agosto de 2015, a exposição Impressão Digital em Terras de Coura foi promovida pelo Município de Paredes de Coura e está patente no Museu Regional local. Propõe um olhar sobre o território, a paisagem e a vida em Paredes de Coura nas últimas décadas.
A EXPOSIÇÃO
Os filmes que fizemos, as fotografias e os textos de Cláudia Freire revelam histórias na primeira pessoa, evocam vivências no passado e no presente e também caminhos de futuro. A várias vozes, as histórias são múltiplas, coexistindo e entrecruzando-se num mesmo tempo, em que cada geração traz sempre algo de novo, deixando a sua “impressão digital”.
Um conjunto de textos, fotografias, documentação, objectos e filmes, articulam-se e complementam-se entre si, cabendo ao visitante, de acordo com os seus interesses e referências, escolher o que quer ver e ouvir, bem como relacionar o que lhe fizer sentido.

Plenos de histórias, objectos do passado e do presente encontram-se lado a lado, evocando permanências ou alterações.
O projecto beneficiou do apoio do antropólogo Benjamim Pereira, que fez trabalho de campo no território nos anos 70, 80 e 90.

Foram revisitados alguns dos lugares estudados e documentados por Benjamim Pereira e Ernesto Veiga de Oliveira, que fizeram parte do grupo fundador do Museu Nacional de Etnologia. As fichas do Centro de Estudos de Etnologia referentes a alguns desses lugares são dadas a conhecer ao lado de registos no presente.
Assume particular relevo a opção museográfica pelo recurso a instalações em lugares estratégicos da exposição que visam envolver o visitante e estimular reflexões.

A exposição inicia, desde logo, com uma instalação no átrio do museu, dando a ver, através da Internet, a viagem da Estação Orbital Internacional que proporciona imagens de um mundo por conhecer, sem fronteiras, podendo ser partilhado, num mesmo instante, por todos os que nele habitam.
Segue-se a apresentação de seis núcleos temáticos: “População”, “Território”, “Educação”, “Emigração”, “Festa” e “Fim de um mundo? Novo mundo?”
POPULAÇÃO
Neste núcleo revela-se um território com diferentes faces ao longo do ano. Nos meses de Primavera e de Verão, muitos emigrantes regressam à sua terra natal. A mensagem reforça-se com o audiovisual e com um espelho que reflecte o visitante evidenciando-o como também fazendo parte de quem passa pelo território. São imagens do presente que revelam vivências diferenciadas na geografia do território, sazonalmente e entre gerações.
TERRITÓRIO

O “Território” contempla, nas sua várias vertentes, a geografia, a paisagem, que reflecte o processo de mudança que tem acontecido no concelho nas últimas décadas, o rio no seus múltiplos contornos que é objecto de uma instalação audiovisual.

EDUCAÇÃO
O acesso à educação criou rupturas com as formas de vida tradicionais, possibilitando a escolha de outros caminhos de futuro de acordo com os próprios interesses e motivações, uma oportunidade e uma liberdade que nem sempre existiram no passado.

EMIGRAÇÃO
O núcleo da “emigração” revela histórias de pessoas que partiram do concelho de Paredes de Coura em busca de trabalho e de outras oportunidades para a sua vida. A exposição mostra objectos e filmes que testemunham a experiência da emigração ou vivências noutros lugares, como é o caso da mobilete usada em Paris e da televisão a preto e branco que viajou para vários locais do país.

FESTA

“Festa” é um núcleo que destaca momentos de (re)encontro que têm lugar no Verão:
- as festividades marcam o calendário anual de devoção aos santos patronos das freguesias e aldeias do concelho e também do encontro de famílias, vizinhos e amigos, incluindo a presença de muitos emigrantes.
- o Festival de Paredes de Coura, com antecedentes em finais dos anos 70 e regularidade anual desde 1993, junta nos últimos anos mais de cem mil pessoas, com um impacto local, nacional e internacional importante.

Festival de Paredes de Coura. 2010 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Festival de Paredes de Coura. 2010 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Festival de Paredes de Coura. 2010 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.
A exposição integra filmes alusivos a estes momentos e, no caso particular do Festival.
FIM DE UM MUNDO? NOVO MUNDO?
A exposição culmina com esta interrogação, evidenciando a coexistência de tempos – passado, presente e futuro.

Fim de um mundo? é o título do documentário apresentado no final da exposição num espaço autónomo criado para o efeito.
FOTOGRAFIAS, FILMES, INSTALAÇÕES, OBJECTOS E DOCUMENTAÇÃO

2010 © Cláudia Freire.
As fotografias, os filmes e os objectos expostos foram recolhidos no contexto de uma pesquisa de terreno efectuada pela Cláudia Freire e por mim entre Setembro de 2014 e Março de 2015.
Cláudia Freire efectuou os 280 registos fotográficos que servem de suporte à narrativa da exposição.

Dos conteúdos audiovisuais de que fui responsável, incluindo som, imagem, realização e edição resultam:
– 4 instalações em co-autoria com Cláudia Freire, evocando os temas: estação orbital, população, rio, quotidiano em movimento.

– 43 vídeos, de 3 a 7 minutos, com registos e testemunhos da população de Paredes de Coura. Estes filmes podem ver-se em ecrãs tácteis distribuídos pelos diversos núcleos da exposição de acordo com os temas: rio, agricultura e pecuária, circuitos, indústria, emigração, educação, festa, festival.

OS PRÉMIOS DA EXPOSIÇÃO
Dois prémios foram atribuídos a este projecto: um à exposição e o outro ao documentário que a integra, Fim de um Mundo ?
A exposição foi distinguida com uma menção honrosa do Prémio Inovação e Criatividade atribuído pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia em 2016.

Em co-autoria com a Cláudia Freire, o documentário Fim de um Mundo? que foi apresentado no final da exposição, ganhou o Prémio para o Melhor Documentário Curta na II Edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema Cidade da Praia, que decorreu em Cabo Verde, de 19 a 28 de Novembro de 2015.