
Foram 5 as depressões que atravessaram o continente em menos de um mês. Uma mão cheia!
Em Janeiro, passou a Ingrid, Joseph e a terrível Kristin. Em Fevereiro, foi a vez da tempestade Leonardo e da Marta. Entre 22 de janeiro e 8 de Fevereiro não parou de chover. Um autêntico rio atmosférico oriundo das Caraíbas que atravessou o Atlântico para desabar no mar e em terra. Sem dar tréguas.
E O CÉU FOI ESCURECENDO

Azenhas do Mar. Sintra. Primeiro dia de inverno. 2025 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Azenhas do Mar. Sintra. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Magoito. Sintra. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Casa Branca. Azenhas do Mar. Sintra. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Praia Pequena. Sintra. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.
Entrou o inverno. O ano virou com mar sereno. O céu foi escurecendo. Nada fazia adivinhar o que se seguiria.
Nas minhas incursões pela costa e pela serra, fui vivendo momentos de aparente calma que antecederam as ventanias e chuvas contínuas.

A CHUVA CAÍU SEM PARAR E O MAR LEVANTOU-SE
Com o mau tempo veio a agitação no mar. Ondas enfurecidas terminavam abruptamente o seu percurso nas encostas ou nos muros das praias. Uma extensão imensa de espuma prolonga-se até à rebentação que é, por sua vez, entrecortada pelos agueiros furiosos que escoam enormes massas de água por entre os bancos de areia.

Tempestade Ingrid. Magoito. Sintra. 23 Janeiro 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Tempestade Ingrid. Azenhas do Mar. Sintra. 23 January 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Tempestade Ingrid. Azenhas do Mar. Sintra. 23 Janeiro 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Tempestade Ingrid. Azenhas do Mar. Sintra. 23 Janeiro 2026 © Jorge Murteira. All rights reserved.
Ao fixar o olhar naquela amalgama de água revolta, tenho a certeza que ninguém ali poderá alguma vez sobreviver. Apesar, e por causa de tudo isto, a paisagem encanta e fascina. À distância, bem entendido.
O BAR DO PESCADOR E O BANDIDO

Foi no Bar do Pescador da Praia Grande que conheci o Bandido. Há quem o chame pelo nome do estabelecimento. Para mim é mais Bandido que Pescador. Ou talvez os dois.

Bandido. Praia Grande. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Bandido. Praia Grande. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Bandido. Praia Grande. 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.
Um dia veio ao meu encontro e entrou para dentro do carro. Mesmo depois de o expulsar, ficou por perto na cavaqueira; os dois, tranquilos em cima da muralha sobre o areal já encolhido. E só dali saiu quando o carro voltou à estrada.
Foi nesse dia que lhe tirei estas fotos. Depois vieram as tempestades e deixámos de o ver durante várias semanas.
AS TEMPESTADES NA PRAIA GRANDE
A praia sumiu. Na vazante, sobrou a areia pintada de negro pelo minério que o mar destapou. Foi sendo varrida pela força das vagas desfeitas em espuma que se encostava à muralha. Dias em que ninguém ousou descer ao pouco que restou do areal. E quando tudo passou, metade da praia ficou sem areia.
Nesses dias mais complicados, a polícia chegou a fechar a estrada da praia. Nem a pé era seguro por ali circular.

Tempestade Leonardo. Praia Grande. Sintra © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Tempestade Leonardo. Praia Grande. Sintra © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Tempestade Leonardo. Praia Grande. Sintra © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Praia Grande. Sintra. Março 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.
Os restaurantes fecharam. À espera de melhores dias. Do Bandido, nada mais se soube durante algum tempo. A vida não esteve fácil para ninguém.

O REGRESSO DO BANDIDO
Finda (s) a (s) tormenta (s), o Bandido voltou.

Mas nada voltaria a ser como antes. O corte no topo da orelha esquerda indica que foi esterilizado. Não bastaram as tempestades para o apoquentar. Desta vez a boleia saiu-lhe cara. Nem aprendeu quando foi parar ao posto da GNR de Colares. Tiveram de o ir buscar.
A viagem dos Bandidos costuma ser inversa. Mas o que veio a suceder depois da prolongada ausência durante as tormentas, já não tem remédio.

O seu amigo Caramelo escapou. Também andou sumido mas não tem por hábito apanhar boleias com desconhecidos.
Melhores dias virão. Quando tudo acalmar, voltarão os surfistas e a esplanada do Pescador contará com outra animação. E o Bandido terá então muita gente para conversar.

Bar do Pescador. Praia Grande. Março 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Bar do Pescador. Praia Grande. Março 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

Bar do Pescador. Praia Grande. Março 2026 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.
Não há mal que sempre dure. A vida continua.
Até amanhã Bandido !