
Durante a vazante, as mulheres de Fukuchani, no nordeste de Zanzibar, semeiam, cuidam e colhem algas vermelhas para garantir o sustento no dia a dia. Sobre a plataforma de coral desenrola-se um bailado feito em silêncio, ao som do ritmo lento de uma maré de enorme amplitude.

São gestos repetidos de corpos que ora se dobram, durante algum tempo, sobre estacas e fiadas que importa tratar ou, de súbito, se erguem enquanto vão retirando as algas que estão no tamanho ideal para serem colhidas. Colocam-nas então numa saca que vão enchendo e pressionando com as mãos, de forma cuidada e lenta, até não caberem mais.

Fukuchani, Zanzibar. Setembro 1997 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

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A luz projecta-se nos corpos destas mulheres ali feitas sereias, como se fossem holofotes sobrepostos modelando, por instantes, os tons e as cores. Inesperadamente, um feixe circunscrito rompe as nuvens espessas, para se reflectir no azul esverdeado e transparente do índico, mas também nas pedras de coral que cintilam o brilho de um foco tão efémero quanto intenso.

Fukuchani, Zanzibar. Setembro 1997 © Jorge Murteira. Todos os direitos reservados.

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As algas que aqui são cuidadas e transplantadas, são depois exportadas para a Europa e para os Estados Unidos, tendo como destino a indústria alimentar e da cosmética.
Neste último caso, duvido que possam preservar a beleza destas mulheres, do lugar, dos tons coloridos e de tantos outros contrastes. Mas também de uma certa intimidade, vincada por quem estima estas algas durante marés a fio, faça sol ou chuva, para as verem crescer, até as colherem e venderem porque, afinal, é delas que vivem.

O que me faz esquecer todo o comércio que se agita e movimenta para além destas protagonistas e do ritmo das marés nas plataformas de coral, pois deste negócio resultam a quase totalidade das exportações marinhas do arquipélago.

Que seria da economia sem estas mulheres feitas sereias em Fukuchani ? Aqui, nos recifes de coral, como em tudo o resto, como muito bem sabemos.